Itália pede a suspensão do mercado europeu do carbono

Itália pede a suspensão do mercado europeu do carbono

A Itália pediu a suspensão do Comércio Europeu de Licenças de Emissão de carbono, devido ao que considera ser os impactos negativos para as empresas. A declaração foi feita pelo ministro italiano da Indústria, Adolfo Urso, num encontro de ministros da mesma pasta de vários países europeus.

RTP /
Anne Nygård - Unsplash

O Sistema de Comércio de Emissões [de carbono], tal como foi concebido, representa um imposto adicional para as empresas europeias, impactando os custos e limitando a sua competitividade”, acusa o ministro, que irá solicitar a suspensão do mecanismo à Comissão Europeia “até que seja feita uma revisão completa”.

Adolfo Urso considera que a indústria química está atualmente “sob pressão devido aos altos custos de energia”, afirmando que o Comércio Europeu de Licenças de Emissão, na sua atual redação, é “ineficaz e prejudicial, pois  traduz-se simplesmente num custo adicional inevitável, corroendo as margens e a competitividade”.

Os pontos requeridos de revisão incluem os “parâmetros de referência de emissões” e os mecanismos de atribuição de licenças, que inclui o “adiamento da eliminação gradual das licenças gratuitas”.
Itália também pede a introdução de um “mecanismo de apoio estável para as empresas exportadoras, que ainda não está totalmente definido na reforma do [Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço]”.

As ideias serão submetidas na reunião da Aliança Ministerial para Indústrias de Alto Consumo Energético, nesta quinta-feira, e nos trabalhos do Conselho Europeu da Competitividade.

O Comércio Europeu de Licenças de Emissão é um mecanismo criado em 2005, que regula as emissões de gases com efeito de estufa responsáveis por cerca de 45% das emissões destes gases na União Europeia. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, estes gases incluem “queima de combustíveis, a refinação de óleos minerais, a metalurgia, a produção de clínquer, cal e vidro, a cerâmica, a pasta e papel, os químicos e a aviação”, e permite às empresas negociarem entre si as licenças de emissões, “dentro do limite global atribuído”.

Este mecanismo permite que uma empresa que reduza as suas emissões possa usar as licenças para satisfazer as suas necessidades futuras, sendo que também pode vender as suas licenças, o que já permitiu a redução em 39% das emissões de carbono, desde 2005, assim como lucros de mais de 260 mil milhões de euros.
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